Performar Memórias, Rio

PERFORMAR MEMÓRIAS na dança
Residência itinerante no Rio de Janeiro

A residência intitulada “Performar Memórias na Dança” foi realizada com o intuito de debater aspectos sobre memória, arquivo, acervo em dança com seus desdobramentos sobre possíveis histórias das danças. Esta residência reuniu presencialmente os projetos organizados como Ação Vizinhas, que operam em rede e têm evidenciado as convergências entre si. Ação Vizinhas é constituído dos projetos e integrantes: Acervo Mariposa e Cartografia de ficções (SP), com participação de Nirvana Marinho, Temas de Dança (RJ), com participação de Flavia Meireles e pelo Grupo Artes do Movimento e Nepaa UNIRIO (RJ/MA), com participação de Juliana Manhães.

Integraram como convidados os artistas Hugo Oliveira, Katya Gualter, e Valéria Monã cujas contribuições foram fundamentais para as formas de escuta, empatia e compreensão do movimento sobre as quais a história da dança negra é silenciada. O registro foi realizado pela artista e cineasta Carmen Luz e equipe e está disponível neste site. A produção foi da artista Marília Rameh e a comunicação foi feita por Isabel Veiga.

A ação de deslocamento aos territórios, ou seja, propor a experiência de diálogos no Centro Coreográfico, no Terreiro Contemporâneo e na Casa do Jongo mostrou a importância dos mapas afetivos, das conexões da história e do espaço cultural como artífice fundamental da memória a ser contada e registrada. Ainda como parceria tivemos o Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, o Coletivo NegraAção e Núcleo de estudos do Corpo Negro FAV.

As articulações realizadas deram contornos importantes para a residência e foram feitas em parceria com as unidades de ensino CEFET-RJ, UNIRIO, UFRJ e os grupos de pesquisa envolvidos, bem como com a presença dos alunos da faculdade, dos grupos artísticos de militância da questão negra contemporânea. Ressalta-se a integração entre ensino médio (CEFET) e universidade (UNIRIO e UFRJ) com a presença das estagiárias de ensino médio do Grupo de pesquisa em dança CEFET/RJ, Emmanuele Cavalcante e Dandara da Costa.

Foram igualmente fundamentais as participações do Grupo Dembaia, a Aula- Performance Umbigar e a Roda de Jongo do Grupo Razões Africanas. O Dembaia é um grupo de música e dança residente no terreiro Contemporâneo, composto por Ana Magalhães, Sabrina Chaves, Beà Felicio Dos Santos e Dai Ramos, mulheres negras percussionistas que tocam ritmos da África Ocidental. A Aula-Performance Umbigar, da pesquisadora Juliana Manhães, foi realizada na Casa do Jongo em um encontro profícuo entre as danças de Moçambique e brasileiras. Por fim, fomos presenteados com uma Roda de Jongo do Grupo Razões Africanas, composto pelas cantoras Lazir Sinval, Dely Monteiro e Luiza Marmello e ofertada pelos anfitriões da Casa do Jongo ao lado da Tia Maria do Jongo. Tivemos, ainda, como convidados dos espaços da cidade do Rio de Janeiro, os artistas Gatto Larsen, Rubens Barbot, Diego Dantas, Raphael Arah e Suellen Tavares.

As questões das danças negras, embora apresentem lacunas extensas e persistentes na história da dança, foram colocadas no centro das discussões, com demandas reais de seus agentes, tais como a necessidade urgente de reconhecimento e importância dos mestres da cultura negra e popular, através de suas presenças no ambiente acadêmico, chancelados em situação de igualdade, cultural e social. A residência Performar Memórias na Dança teve apoio do Goethe-Institut Rio.

Algumas das indagações que nortearam a residência foram: a prática documental realizada por meio audiovisual; reflexões sobre as assimetrias de ordem étnico-raciais que colocam em debate a necessidade de saber dos autores, filósofos, mestres, epistemologias e danças do universo da negritude e as camadas de memórias que debatem a questão da branquitude. As histórias das danças negras existem e precisam ser contadas de diversas formas, e localizar seus espaços nos obriga a reconhecer seus percursos e territórios, assim como de realizar um levantamento das nossas referências sobre a dança negra e suas correlações.

O projeto teve como desdobramento o Performar Memórias passou a integrar o GT Ancestralidades em Rede a partir de outubro de 2018. Trata-se de um coletivo interinstitucional/interestadual formado por 12 organizações de ensino, arte e cultura, públicas e privadas, formais e não formais entre os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco e que tem como interlocutora a Escola de Dança da UFRJ.


Vídeos: Carmem Luz

(veja ficha técnica completa em link)