Norte do afeto

5 de junho 2020

Foto por Djurdjina ph.djiz em Pexels.com

Talvez pudessemos parar um pouco, sentir…

Tenho participado de várias ações de comunicação e produção de conhecimento no universo de expansão de consciência, cura, equilíbrio e ação prática que o BodyTalk convida. Junto com Cristina Carneiro, organizo um grupo de sessões de Matriz BodyTalk Brasil para terapeutas em um contexto colaborativo; conduzo grupos de Estudos de Mindscape quinzenais para terapeutas e logo mais para jovens; lidero a equipe de terapeutas pesquisadores sobre Articulações que tem Alessandra Batistuta, Amanda Carla Arnaut, Dani Acosta, Debora Junqueira, Fernanda Marquesan, Myrella Brasil, Sirlene Reis e Soraya Reis juntas nessa; faço o editorial da revista Escuta, periódico sobre BodyTalk e coordeno uma equipe de terapeutas para atendimento comunitário para casos de Covid-19, além de a pouco ter concluído o treinamento para Instrutora de BodyTalk Acesso, logo mais marcaremos nossa primeira turma.

O norte do afeto tem sido a razão e emoção pelas quais é inevitável fazer o que nutre. Vamos escrever, ler e sentir juntos como fazer muito não é quantidade; como é isso de ação prática no BodyTalk; como é assumir responsabilidade e tomar seu lugar; como é realizar-se na produtividade natural, daquilo que pulsa para cada um, seja quando muito por fazer, quando quietos ou observadores, quando indecisos ou quaisquer posições nas quais nos encontramos no labor da vida.

Nortear-se pelo afeto é ter a sabedoria de entregar-se com coração – isso tem a ver com fazer o que você gosta, conhecer sua vocação, o sentido pelo qual tudo faz mais sentido, onde sua criatividade flui – mas também, e sobretudo, nos indica nossa capacidade de lidar com a “sombra” das coisas, o que perturba, irrita, suga, confunde, com nossas intensidades ou respostas, por vezes reativas. Como lidar com o peso, igual quando desejamos a leveza? Como lidar com outro, quando sabemos mais de nós mesmos? Como fazer do trabalho, prazer e do suor um sabor/saber de si?

O norte do afeto é um como porque, com o tempo, o BodyTalk te permite ocupar esse lugar, dentro de você, de permanência, mesmo com toda impermanência. De sustentação, mesmo com os tremores de terra. De firmeza, mesmo diante da dúvida. Afeto é nossa condição humana de sentir sem padecer.

A sabedoria do coração não separa gosto, prazer, sentido, criação de sombra, irritação, reatividade, nossas tais intensidades tantas. O coração é, como a consciência é. Guiar-se pela sabedoria do coração não é deixar-se levar pela emoção, como aquela que nos rouba, e sim sentir-se presente para saber qual é a emoção que convida a qual ação prática. Olha aí a ação, o norte!

Ser produtivo, nesse sentido, é sentir-se a vontade de ser você – o que inclui qualidades e dificuldades. Diante das primeiras, saber servir, entregar para o que se apresenta. Diante das segundas, são tantas, saber tomar uma ação; saber qual é torna-se um exercício de escuta: “o que está realmente acontecendo? o que posso fazer? qual é minha responsabilidade? o que é necessário ou fundamental aqui?” E se não souber, você só escuta… abre para escuta e… espera. Uma espera ativa, consciente. Uma entrega ciente. Uma pausa para vir, normalmente sincronicamente a sua ação de abertura, uma resposta, uma ação, prática. Inevitável.

Para isso acontecer, seu corpo mente precisa estar afinado, como um instrumento que precisa de afinação. Constante, inclusive. não dá pra escutar se o som conter ruídos. Não dá pra sentir se o corpo físico estiver desidratado, se a mente estiver confusa, se as emoções estiverem com “fusível queimado”: digo sim querendo dizer não, e vice versa. Por isso, sessões de BodyTalk.

E então, Nirvana, serei produtivo, produtiva? Você será ou estará num patamar de paz consigo, com sua jornada, inclusive se estiver num momento de pesar ou de glória. E a produtividade é uma consequência que convoca o equilíbrio com todos os movimentos naturais – dos sins, dos nãos. Fato que a vida fará suas narrativas para você aprender com cada curva. Mas seu norte, inabalável, fica ali, como um coração suspenso, leve, talvez apaixonado, talvez saltitante, talvez pensativo, mas amando ter cada segundo de oportunidade de ser você.


Nirvana Marinho, junho 2020