Para começar, Erica conta…

“Pra compartilhar…

Foi uma delícia, o almoço com o Dú. Se a minha inquietude fica guardada debaixo da pele e é revelada poucas vezes através dos olhos, das mãos e do corpo quando dança, a dele é exposta sempre, no jeito de andar, na fala… perceba. Dessa vez, como nas outras, ela o fez levantar e me mostrar sua pesquisa, ali, entre todos. Paisagem bonita: Dú entre cadeiras e mesas a pôr garçons a desviarem de si. Trocamos tanta figurinha que quase completamos o álbum! Sim, uma boa energia de criança circula entre nós, é fato. Falamos com vontade da vontade em comum de ser a própria dança, de deixar que nossos corpos consigam ser o que dançam quando dançam. Só isso, e tudo isso! É que não dá pra parar a vida e dizer “agora vou fazer um trabalho só a partir disso”, já começou, entende? Se paramos para olhar Nietzsche ou Bacon, não significa que somos capazes de zerar tudo e começarmos, dali, uma nova dança, e nem é o que queremos. Tudo contamina tudo, é mais ou menos assim. E daí nossa grande diferença, salve. Dú tem foco, acredita profundamente que não poderia fazer outra coisa da vida além disso que faz. Eu multifoco, acredito que posso fazer muitas coisas sempre. Dú se cansa no mesmo, eu nos vários. E vamos seguindo.”

Erica Tessarolo